"Não lhe era fácil conviver com as outras pessoas. Preocupava-se demasiadamente com o que os outros pudessem estar pensando dele. Suspeitava de que em geral as pessoas não o estimavam, não simpatizavam com ele, achavam-no aborrecido. Recusava-se, porém, a dizer as frases e assumir as atitudes que conquistam amizades, simpatias e admirações, não só por achar o estrategema primário, como também por uma espécie de preguiça tingida de não-vale-a-penismo. Quando se via em grupos, tinha a impressão de estar sempre sobrando. Isso lhe dava uma sensação de solitude que era triste e ao mesmo tempo esquisitamente vouluptuosa. O desejo de ser aceito e querido alternava-se nele com o temor de que, no dia em que isso acontecesse, ele viesse a perder não só sua intimidade consigo mesmo como também sua identidade."
__ Érico Veríssimo.
Esse é o sentimento que me domina exatamente agora. Especialmetne a parte da preguiça e do não-vale-a-penismo.






3 comentários:
Eu tenho um texto em primeira pessoa muito parecido com esse.
Nem sabia da existêndia dele.
Mas já me senti muito assim também.
Isso acontece nas melhores e famílias...
E nas piores com mais frequência!hahaha
Beijo!
Só podia ser do Veríssimo. Mas as vezes me pego ainda hoje, nestes dias em que estamos em todos os circulos me olhando como se estivesse de fora.
Olá Rebeca. Que bom que gostou dos meus rascunhos, hehe. Fiquei conhecendo seu blog através do do Jim, do solitário Jim.
Seus textos são bem legais também, uma visão de mundo dialética.
Abraços
Postar um comentário