terça-feira, 16 de setembro de 2008

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Outro dia estava eu diante dos cadarços do meu tênis, daquele que uso há aproximados 14 anos.

Me deparei com o fato de que não sei qual deles vem primeiro, e depois dele qual deve ser levado pra cima, pra esquerda, pra direita, ou rodado de uma forma determinada.

E foi então que meu cadarço me avisou que não sabia também quem de mim vinha primeiro.

E depois disso, não sabia como me amarrar, e se preocupava tanto com os tombos nos dias em que eu estava solto. Meu cadarço sujo me disse que deveria me lavar mais vezes, porque encardido estava, e dessa forma desvalorizava mesmo o tênis e toda a roupa.

Aprendi com ele a arte do laço, a arte do nó, da forma como ele mesmo gostava de ser amarrado.

Mas naquele dia, aquele dia em que eu acordei sem saber ao menos por onde começar, neste dia ele nada disse.

Se fechou em um nó de marinheiro, aumentou em muito seu peso natural e me contou então que certas coisas não devem ser questionadas.


(Texto de Maria Isabel de Matos Andrade,
mestranda em Letras pela UFMG
e [muito felizmente] minha amiga!)
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1 comentários:

bel disse...

eu tava falando com a bel, eu AMEI esse texto..mto lindo
a bel é foda e [muito felizmente] minha amiga tbm
uhu
bjs

 
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