quarta-feira, 16 de julho de 2008

Sobre sorrisinhos idiotas

Hoje eu estava andando de ônibus, e o trânsito estava uma droga. Demorei quase meia hora percorrendo um trajeto que normalmente dura uns 10 minutos. Cheguei a pensar que teria sido melhor ir a pé. Mas já que tinha pagado passagem, e já que lá estava, lá fiquei. Como se o fato de ter que ir estudar pro vestibular no meio da tarde, com um sol de rachar já não fosse agradável o suficiente. E isso não foi o pior. O pior foi ter que suportar uma senhorita de grandes proporções (vocês me entenderam, não é?) que se sentou ao meu lado. Não tenho nada contra gordinhos, obesos, pessoas acima do peso, enfim, como queiram chamar, mas essa cidadã insistia em não se segurar em lugar nenhum, ou seja: a cada sacolejada do coletivo ela praticamente ficava no meu colo. Mas ela era, obviamente, uma pessoa muitíssimo bem educada, então todas as vezes que isso acontecia ela se virava pra mim e dizia (em um tom nada amigável): “Foi mal, aê...” Isso mesmo. Você não leu errado. “Foi mal, aê”. Será que isso quis dizer “me desculpe”? Eu interpretei que sim. Mas saber o que significava isso não me fez encontrar nada que pudesse servir como resposta. Pensei em dizer “desculpado!”, mas acho que as expressões não são equivalentes. Depois pensei em dizer um “Falou, aê”, que seria bem próprio, mas eu não me permiti esse nivelamento. Então, a cada vez eu simplesmente dava um sorrisinho idiota.

Sabe aquele sorrisinho que você dá quando encontra com o seu chefe que você detesta, mas tem que fingir que gosta, e sempre esquece de desmanchá-lo após o cumprimento? Pois é. Foi um desses que eu dei. E lá ele ficou. Eu só percebi que ainda estava com a cara esticada quando uma gentil senhora que ia descer no ponto seguinte passou e me sorriu de volta! É claro que eu desmanchei o bendito na mesma hora (depois de acenar educadamente pra velhinha, certamente). E ao olhar pra fora ainda deu pra perceber que ela também tinha esquecido de tirar o sorriso do rosto dela também.

E ela seguia, sorridente por motivo nenhum, esperando o rosto cansar e voltar ao normal. Ou até que ela passasse por outra pessoa que a fizesse lembrar que ela ainda estava sorrindo pra mim.
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